segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

É assim que te vejo

É assim que eu te vejo em meus sonhos de noites de atroz sau­dade: mas, em sonhos ou desenhada no vapor do crepúsculo, tu não és para mim mais do que uma imagem celestial; uma recordação indecifrável; um consolo e ao mesmo tempo um martírio.

Não eras tu emanação e reflexo do céu? Por que não ousaste, pois, volver os olhos para o fundo abismo do meu amor? Verias que esse amor do poeta é maior que o de nenhum homem; porque é imenso, como o ideal, que ele compreende; eterno, como o seu nome, que nunca perece. [...]

Tu, Hermengarda, recordares‑te?! Mentira!... Crês que morri, ou porventura, nem isso crês; porque para creres era preciso lembra­res‑te, e nem uma só vez te lembrarás de mim!

[Eurico, o Presbítero por Alexandre Herculano]

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Presença - Mario Quintana


PRESENÇA

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mario Quintana


Dedico esse poema a uma pessoa que sabe que me encantou profundamente! - Ass: Rodrigo Modena

domingo, 23 de janeiro de 2011

Gozado o jeito que agora me olhas

Parecia que queria arrancar um pedaço de mim

Comer minha carne e sugar meu sangue

Não percebes que assim só feriu meu coração

Fazendo-o sangrar ardentemente

Nesta dor dilacerante que não quer passar

Satisfeito! Pergunto-me.

Agora estou sangrando.

Mas este sangue que escorre por meu dedos

Não é o mesmo sangue que você queria novamente provar.

Sangue raro, sangue único, que você desperdiçou.

Doei o mais profundo do meu intimo

E hoje, estou aqui, agonizando.

Provando uma sensação que é o misto perfeito de alivio e dor

A melhor sensação que você me proporcionou

Uma sensação única que poucos tem a oportunidade de experimentar

Nada poderei mais sentir e você não poderá mais me usar.

MMP

sábado, 22 de janeiro de 2011


O que é isto que cabe tão bem na palma da mão?
Que pinta e borda com o sentimento,
Que marca para sempre, ainda que chegue ao fim...
Sente-se em festa, com os olhos como neon,
O peito pulsa forte.
No começo é uma incerteza,
Passos vacilantes não querem se entregar.
Permitir-se ou não ser amado ou amar.

O destino é onde a confiança predomina
Se trilharão o caminho do mundo semeando espinhos
Ou cegando-os com seus sorrisos.
Se as lágrimas serão de amor,
Se os sorrisos serão de dor.
Se o pensamento será um do outro...

E ao fim, então, será como que cravado na carne.
Moldado pelo tempo, informe em seus momentos.
Com suas cores ou sem cheiro, com sua música ou sem tempero...
Se houve dor, está para sempre marcado
Se houve amor, a morte não os separou...


Astehria.

Navegar é preciso!


Estava num barquinho de papel no rio da vida a navegar,
Olhava ao redor arvores verde e passarinhos a cantar,
Em um fenômeno lindo e perigoso. O rio se funde ao Mar,
No nada uma tempestade começa formar...

O Mar se agita as ondas quase consegue o barquinho afundar,
Mas o barquinho é forte, mesmo alguns pedaços a se desmanchar,
Deixando um rasto de escritos... Solidão, dor, infelicidade, sofrimento.
Depois de dias e noites longas começa a tempestade a se decipar.

Ao amanhecer está um sol brilhando e o mar calmo agora está,
Em uma linda praia o barquinho de papel foi se atracar.
Um pescador assustado pergunta como o Barquinho suportou aquele horror?
O Passageiro simplesmente falou: Ler o nome do Barquinho... O amor!




Rodrigo Modena

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Pessoas "Difíceis"

Costumam gostar de pessoas difíceis, gostam da emoção da conquista, de conquistar, são caçadoras e não caças...

Tudo que é muito fácil perde a graça rapidamente e a deixa sem motivação.

É difícil uma pessoa difícil se apaixonar, mas quando esta está apaixonada faz de tudo para conquistar a Pessoa desejada.

Dai surge à questão:

Ao estar apaixonada Ela se torna fácil por ter vontade de estar ao lado de seu Amado

Por querer conquista-lo...

E este, também sendo Difícil, pois é disso que alguém Difícil gosta...

Acaba não tendo mas o mesmo desejo...

Pois aquele se tornou fácil...

E... o que este não sabe é que Aquele se transformou por Ele...

Sendo assim... esse mundo sempre estará dando voltas e voltas...

E Estes jamais estarão felizes por nunca se entregarem por completo...

MMP

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Autopsicografia - Fernando Pessoa


Fernando Pessoa
Cancioneiro
Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011


Que não cresçamos para que nossos corações não tenhamos de perder ao sabor do primeiro vento travesso sem nos permitir o alcançar...


Ato de Coragem


Eu tentei acertar,

Eu tentei melhorar,

Até pensamentos positivo fui criar.

Para acreditar que o amanhã ia melhorar,

Mas infelizmente cada dia está a piorar,

A dor está aumentar,

E minha esperança terminar.

A Morte com essa dor pode acabar,

Mas é preciso ter coragem para realizar,

A única opção a restar.

Pois essa dor que está a me sugar,

É mais dolorido do que se matar.

Amigos infelizmente retroceder não dar,

E ter que seguir pode ser se torturar,

Mas poucos têm a coragem de realizar,

O ato de suicidar e dessa vida escapar.

Rodrigo Modena

domingo, 16 de janeiro de 2011


O muro foi derrubado, e o que persiste?
Seu hálito cruel, sua poeira maligna.
Pré-conceito de um lado, conceito prévio do outro,
De nós mesmos, de terceiros...
Somos livres para assim ser, de forma escondida, no fundo de nossa mente.
Não diga, meu amor, que é vê diferente.
É consciente sem saber, podendo ser evitado sem saber-se como
Todos se calam.

Derrubar barreiras é fácil, são sempre de tijolos.
Basta um bom martelo e persistência para bater e bater.
Ultrapassar fronteiras é difícil, não existe linha
Ainda assim é tão vista...
Em pesados livros a lei do outro lado, a mente ilimitada apenas em limitar.
À qual tudo o que se pode fazer é esquecer seus princípios, ou retornar.
Por isso não se abata por conceitos prévios,
Positivos ou negativos...
Afinal você tem um bom martelo.
Astehria.

Soneto 116 - William Shakespeare


Soneto 116

William Shakespeare
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

Tradução de Bárbara Heliodora

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011


A armadilha está posta para a mim te trazer,
Por encanto, feitiço.
A armadilha está posta para acalentar,
No calor de sentimentos de amparo.
A armadilha lhe observa, singela ao alvejar,
Com seus fios a reluzir.
A armadilha está posta para surpresas,
Quando para o lado olhar.
A armadilha está posta para a refeição,
Para a ela ou seu peito alimentar?
A armadilha está posta com adornos,
Tome seu lugar junto a ela para contemplar.
A armadilha está posta deixar marcas,
Suas lágrimas a alimentar.
A armadilha está posta para deixar ferida,
Vai lhe perfurar, lhe rasgar.
A armadilha resultará arrependimento,
Pela dor os ossos vão se corroer.
A armadilha foi posta por exímio caçador,
Nunca poderás a ela escapar.
A armadilha foi posta para o libertar,
Por capricho, desejo...
...de ter a quem amar.
Astehria.

Só em todo o seu pequeno universo está aquele que afoga-se no amor que dispensa
sem pensar em afogar-se no amor que tem...
Astehria.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Quem é você? Simplesmente o amor!


Um dia a felicidade transbordava e eu celebrava o amor,

No dia seguinte uma tempestade chegou e trouxe a dor.

Hoje está se decepando e começa a mostrar o que restou.

Agora é pegar os pedaços do chão e recomeçar de onde parou,

Pois temos que ser forte, para das cinzas, como a fênix que renasceu.

A vida mostra ao longo do tempo que a felicidade é como cristal

Que do nada, sem esperar, poderá a felicidade ir como um vendaval.

O amor é um sentimento imprevisível que da noite pro dia pode mudar,

E sem mesmo ter um mínimo de piedade com sua vida pode exterminar.

Mas não é como ser carregado por mato se ser cruelmente esfaqueado.

É uma morte dolorosa e lenta como se fosse vagarosamente esmagado.

Ao passar do tempo à dor se transforma em buraco negro cheio de vácuo

Que vai sugando rapidamente atirando, sem misericórdia, de um penhasco.

É alto, não dar para ver o fim e muito menos encontrar uma saída da imensidão,

Fria, escura como um labirinto sem fim chamado de solidão.

O amor pode causar dor, mas são apenas obstáculos e seguir é necessário,

Amor tem um curso por isso deve permanecer para ver onde vai dar tal como um rio.

Por isso devemos sempre ir caminhando, recolhendo as pedras do caminho até o fim,

Mesmo sem saber o que encontraremos é necessário seguir adiante, pois só assim,

Lutando dia a dia sem perder a esperança, sempre tentando, só dessa forma pode ser feliz!


Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval.
Vinicius de Morais

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011



Que nossos beijos, testemunhas únicas de nosso amor,
não se percam no tempo. Não antes que o nosso tempo se acabe.
Astehria.

sábado, 8 de janeiro de 2011



Coração rasgado
Coração quebrado
Coração mal feito
Coração deformado

Rasga-se o peito
Quebra-se o peito
Mal faz-se o abrigo
Deforma-se a fortaleza

O que fazer quando a cola não ajuda?
Envolve-o com adesivos, bem apertado?
Costura-o para que as feridas cure a maior feita?

Dor sobre dor.
Desespero sobre si mesmo.
Não posso tocá-lo com amor
Dentro de mim, tão próximo.

Congelá-lo para que seja anestesiado?
Para que pare de sangrar?
Para ter seu movimento cessado?
Para me deixar de viver?
Viverá tantos remendos?

Ah coração, ilusão tê-lo,
Em sua redoma dentro de mim não posso curá-lo.
Tarefa de outro? Tarefa do tempo?
O que pode ser remédio?
Para que a ferida fechada errada não se torne veneno...
à amiga Larissa, de Astehria.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011


Desculpa se peço desculpas ainda que não haja perdão.
Desculpa se peço desculpas por fazer-te preocupar-se comigo.
Desculpa se peço desculpas, é do fundo do coração.
Desculpa se peço desculpas...
...és meu amigo.

Astehria.

A Beleza da Vida


Se não enxerga a beleza da vida,
e a alegria que ela tem para oferecer.
Use o óculos do amor, que você passará a ver.
Esse óculos mágicos, melhoram até à audição,
aprimora a auto estima e exercita o coração.
Com ele, ao olhar para o mar, verás poemas,
ouvirás canções, e nas suas águas o reflexo,
de quem lhe enche de emoções.
E no céu tanta beleza, o Sol as Estrelas,
a Lua a brilhar, parecem estar conspirando,
para com seu Amor ficar.
Há beleza em todo canto, basta saber enxergar,
o óculos do amor só ajuda, a toda essa beleza admirar.

Wanderley Mendes Gomes

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Um brinde ao vazio que invade tudo o que sou,
Expulsando-me.
Um brinde à morte que está por vir,

Serena e entorpecente.

Um brinde,
apenas um brinde mais antes de partir, para sempre.
Pois aqui minhas forças caem cansadas de lutar.
Um brinde mais,

Em coquetel de redenção.
Mas deixe pulsar,

Uma vez mais,
Este coração que não mais existe, por multicores em uma taça...

...arrependido de ter nascido.




Astehria.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Bilhete



Se tu me amas,
ama-me baixinho.

Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.

Deixa em paz a mim!

Se me queres,
enfim,

.....tem de ser bem devagarinho,
.....amada,

.....que a vida é breve,
.....e o amor
.....mais breve ainda.

Mario Quintana

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Que pague pelo amor aquele que não sabe seu valor, que o compra com moedas raras, diamantes e piedade.

Quem o conhece que o compre e pague à vista, para não ter devolução.

Pois amor não tem religião, idade ou sorte...
...amor é pura devoção.

Astehria.




sábado, 1 de janeiro de 2011

Ano Novo


Ano Novo

Está na hora da transformação,

Parar de chorar aquilo que passou,

E olhar por céu e agradecer pelo aquilo que sou.

Está na hora da transformação!

Nesse ano deve ir à luta,

Com a batalha perdida, aprender.

Para a próxima vencer!

E no topo permanecer.

Basta em você acreditar,

No pensamento visualizar,

E ter fé para confiar,

Que em 2011 tudo vai melhorar!

Rodrigo Modena

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